Cultura e educação
"Zlango" - WTF?!?
Ao entrar hoje no site da TMN fui presenteado com uma animação da novacampanha deles, a qual se mantém fiel ao espírito de anormalidade que já se está a tornar tradição nesta empresa: o/a(?) Zlango.
Se o conceito já me irrita um bocado, o que vi no site irritou-me ainda mais. No final da animação, um dos vários bonecos expele um balão com a frase "Porquê comunicar com palavras quando podes divertir-te com Zlango!".
Evolução da língua ou preguiça mental?
"Postar", termo que parece já fazer parte do dia a dia de quem frequenta fóruns ou blogs, é um termo que me irrita solenemente.
Nunca tinha percebido porquê, até há uns segundos atrás - e na verdade não foi uma grande descoberta, foi apenas um "clic", pois é pura e simplesmente a sensação que me transmite quando o oiço: atrasadice mental.
Claro que não penso que toda a gente que use o termo é atrasada mental. A utilização generalizada do termo é que me incomoda.
Escrever bem
Tendo em conta a qualidade do Português escrito que se tornou quase universal nos dias que correm, aqui fica algo que provavelmente dará jeito a muita gente:
http://pagpessoais.iol.pt/~mz17929a/escrever-bem.txt
Os meus parabéns e agradecimento ao Carlos Duarte, o autor do ficheiro, por um excelente contributo para a boa escrita do Português.
"O que está em causa", in Que Treta
De há algum tempo para cá tenho seguido o blog "Que Treta", cujo autor foi meu professor na FCT. Por vezes surgem lá pequenos textos que expõem aquilo que eu já pensava há algum tempo mas que nunca tinha conseguido pôr por palavras, e de forma tão clara e tão simples, que até me sinto parvo por nunca ter conseguido lá chegar.
É o caso deste artigo chamado "O que está em causa", que sugiro que qualquer interessado pelos temas da propriedade intelectual, copyright, pirataria de músicas e filmes, etc., leia.
Fica um excerto:
Antes de Gutenberg os autores viviam de criar e não das cópias. Depois de Gutenberg a tecnologia foi regulada para censurar, depois pela «sustentabilidade económica» dos impressores e ao fim de uns séculos para beneficiar também um pouco os autores, mas financiou sempre mais quem fabricava cópias do que quem criava a obra. Impressores, fábricas, editores de discos e afins. O autor nunca recebeu mais que uma pequena fracção do preço da cópia.
Este sistema já não faz sentido porque a cópia agora é gratuita e pode ser feita por qualquer um. Dos €10 de um CD o autor recebe menos de €1 e o resto alimenta um sistema desnecessário. Não sou contra que ganhem esses €9 mas sou contra proibir a cópia só para que ganhem esses €9. O Desidério confunde a troca voluntária, que é o que se passa entre o agricultor, o merceeiro e o freguês, com uma proibição legal que cria escassez para beneficiar o distribuidor em detrimento dos outros.
Escolha múltipla "a descontar"
O que aqui vou dizer é algo que já penso há bastante tempo (aliás, estava a preparar este texto já há umas boas semanas), provavelmente desde os tempos do meu 12º ano mas agora que me afectou bastante (Bases de Dados, para os curiosos, mas não vou falar de nada específico de BD, somente deste métdo de avaliação), numa cadeira em que tenho perfeita noção de que sei mais que o suficiente para merecer passar (e teria passado se não fossem os descontos da escolha múltipla), torna-se ainda mais frustrante e o ridículo mais evidente.
Pessoalmente, acho que perguntas de escolha múltipla "a descontar" não fazem sentido nenhum ao nível a que trabalhamos. Farão sentido, talvez, em processos de selecção de grupos de elite, para escolher os melhores de entre aqueles que já se sabe serem os melhores. Ao nível universitário, para as pessoas avançarem no seu curso superior, não faz sentido.
Se o aluno errar, para além de não receber os pontos correspondentes à resposta, ainda perde outros.
Ou seja, o aluno é punido por errar. Que pedagogia está inerente a esta lógica? A resposta a esta pergunta é geralmente "para evitar que os alunos respondam ao calhas". OK, vamos punir os que respondem ao calhas (assumindo que não sabem a matéria) e falham. Então e os que respondem ao calhas e acertam? À partida parece que podemos simplesmente dizer "bom, esses safam-se mas pelo menos apanhamos os outros" mas se analizarmos a situação de outro ângulo, não é bem assim.
Vejamos o lado dos que sabem a matéria.
Também é hábito de muitos professores colocarem possibilidades de resposta muito parecidas, as chamadas "rasteiras". Ora um aluno que saiba a matéria mas que se engana por distracção, por exemplo, num sinal de uma conta, vai cair na rasteira, pois a resposta a que chegou é a resposta incorrecta mas parecida com a correcta, situação já prevista pelo professor. Ou seja, vai ser punido da mesma forma que o aluno que respondeu ao calhas e falhou.
E a grande questão é: o aluno que sabe a matéria enganou-se, ainda que um erro que por vezes poderá ser mínimo (falando de um teste de escola, claro, não da vida real), como uma mudança de sinal, mas será justo esse aluno ser punido da mesma forma e com a mesma severidade que o aluno que não sabe a matéria mas arriscou a responder?
Será justo o aluno que sabe a matéria ser punido, quando o aluno que não sabe a matéria, arrisca e acerta, não é punido?
Algumas pessoas usam esta última questão como justificação para os descontos na escolha múltipla: havendo punição, os que não sabem a matéria não arriscam, para que não acertem ao calhas. O problema é que eles vão arriscar na mesma e podem até acertar, ao passo que os alunos que sabem a matéria podem decidir não responder por medo de serem penalizados, mesmo tendo a resposta correcta.
Por exemplo, porque é que um aluno que sabe fazer um cálculo correctamente, mas se engana num sinal no meio das 10 linhas de contas que tem de fazer, chegando obviamente a um resultado incorrecto, deve ser penalizado? Porque é que interessa mais penalizar quem se engana do que valorizar quem acerta? Se se tiram valores a quem falha as respostas, porque é que não se dão valores extra a quem acerta nas respostas?
Fazendo umas "contas" simples:
Num exame com 20 questões de escolha múltipla "normal", se um aluno falhar 6, passa no exame (supondo que todas as questões têm a mesma cotação, claro).
No entanto, se as questões erradas descontarem, como é agora moda em quase todas as cadeiras, um aluno que falhe 6 questões, não passa. Sabe correctamente mais de metade da matéria (14 questões certas, 6 erradas) mas mesmo assim dizem-lhe que não sabe o suficiente para passar na cadeira, quando num teste/exame de perguntas de desenvolvimento só precisa de ter 10 valores em vinte (metade) para passar.
Qual é a lógica inerente a este tipo de avaliação?
Não estamos a jogar ao totoloto com vidas de pessoas nem nada do género que justifique sermos penalizados quando erramos, é "apenas" uma porcaria de um exame... De acordo, poderá ter um grande peso na nossa vida futura (e até isso é discutível) mas porquê dizer que mais vale não arriscar do que arriscar e errar? Que raio de mentalidade é essa? Porque raio é que eu não hei-de arriscar se acho que a resposta certa é aquela? Dizer só que é melhor não arriscar do que arriscar e errar, só por si, não tem qualquer nexo! Se nos quisessem ensinar a ser responsáveis perante situações em que temos que fazer uma escolha que vai afectar muita gente, por exemplo, aí faria sentido dizerem-nos "imaginem estão perante uma situação de desastre nuclear eminente e a vossa próxima escolha vai ditar o futuro da humanidade. boa sorte!", mas não é esse o caso. Assim estão efectivamente a ensinar-nos a não arriscar, a não "tentar", com todas as ramificações pedagógicas que isso pode ter - para além de estarem a prejudicar e desmotivar alunos que podiam (e muitas vezes mereciam) avançar nos seus estudos e terem as suas capacidades reconhecidas mas só vêm os seus erros apontados.
Numa nota lateral, gostaria de deixar a sugestão de investirem 20 minutos do vosso tempo a assistir a este vídeo, que está de certo modo ligado a isto que estive para aqui a debitar:
http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/66
"Empresas de tecnologia queixam-se de que jovens profissionais não sabem escrever"
Parece que finalmente o resto do país está a acordar para algo que eu ando a dizer há anos: o pessoal não sabe escrever.
Aqui fica a transcrição de um artigo escrito por João Pedro Pereira, que saiu no Público de 2 de Fevereiro de 2008, esse fatídico dia para a Expressão e Comunicação em Portugal (semi-private... para quem não percebeu, brevemente colocarei online um artigo a explicar).
A falta de capacidade de comunicação escrita é um dos grandes problemas que as empresas portuguesas
de tecnologias de informação notam nos jovens profissionais. Mais grave do que isto, dizem as empresas,
só as falhas ao nível das competências de gestão.
A conclusão é de um estudo apresentado esta semana pela Associação Nacional de Empresas de
Tecnologia de Informação e Electrónica (ANETIE). O documento analisa as respostas de 20 empresas,
que empregam 3100 pessoas - o que, de acordo com a associação, representa cerca de 25 por cento da
força de trabalho do sector.
Às empresas foi pedido que atribuíssem uma classificação a várias competências profissionais, consoante
a preocupação que tinham com a respectiva escassez. O objectivo era determinar até que ponto o ensino
superior e as escolas profissionais respondiam às necessidades de um sector que, afirmou Rui Melo,
presidente da ANETIE, luta com uma grande escassez de recursos humanos.
O relatório indica que as empresas consideram estar bem servidas no que diz respeito às competências
tecnológicas, mas que as instituições de ensino falham em oferecer formação naquilo a que o estudo
chama "soft skills": domínio da língua, técnicas de marketing e negociação ou pensamento crítico, por
exemplo.
Em primeiro lugar na lista das preocupações das empresas está a capacidade de gestão por objectivos. De
seguida, surgem empatadas a gestão de equipas e a comunicação escrita.
Que as empresas se queixem da falta de aptidão para a escrita "choca um bocadinho", admitiu Fernando
Fernandez, também da ANIETI. "Esta não é uma competência técnica, é uma competência essencial, que
tem de ser trabalhada desde cedo. Não se pode esperar pela faculdade".
Os resultados do estudo vão ser dados a várias instituições de ensino e a ANIETI resolveu criar um
prémio para a instituição que, em 2008, mais fizer por diminuir a discrepância entre a formação
oferecida e as necessidades das empresas."Escalada nos salários"
O sector das tecnologias de informação tem neste momento falta de recursos humanos, alertou Rui Melo:
"Uma empresa que se queira instalar [em Portugal] já não tem onde ir buscar mil profissionais".
A situação desenrolou-se apenas nos últimos dois anos e deu origem "a uma escalada nos salários", que
as empresas têm que suportar para poder contratar profissionais. Em média, isto significa um aumento
"de 15 a 20 por cento" nos salários para quem está a entrar no mercado, estimou Melo.
A introdução do sistema de Bolonha, com licenciaturas de apenas três anos (salvo algumas excepções),
poderá antecipar a entrada de profissionais no mercado de trabalho, ajudando a mitigar o problema,
argumentou o presidente da ANIETI.
O responsável criticou, contudo, as instituições de ensino que não oferecem uma formação adequada
durante o primeiro ciclo de ensino e que procuram fazer com que os alunos se vejam forçados a
enveredar pelo mestrado.
Fernando Fernandez acrescentou ainda haver "pessoas que saem de boas universidades sem saber fazer
nada de prático".
E ainda outra vez, a nova lei do tabaco
Antes de mais, quero deixar desde já bem claro que não tenho nada, só por si, contra as pessoas que fumam. Aliás, algumas até merecem o meu respeito extra por compreenderem que nem toda a gente gosta de levar com fumo de tabaco, e por isso mesmo deslocam-se para fora do restaurante, para longe de não-fumadores, etc.
Posto isto...
Parece que foi desta.
Entrou hoje em vigor a "nova lei do tabaco", que para além das regulamentações já em vigor desde 1982, vai impor mais restrições aos locais onde é permitido fumar.
No entanto já se levantaram vozes de protesto, como não podia deixar de ser, tamanha injustiça é esta decisão do governo. Afinal qual é a lógica de proibir o fumo de tabaco numa discoteca, por exemplo? Nenhuma, não é verdade? E por isso mesmo é que já há uma petição criada para que a lei seja mudada e permita os donos de locais de diversão, escolherem se o seu estabelecimento vai ser livre de fumo ou não.
É que, como disse o nosso querido ex-ministro da saúde, Luís Filipe da Conceição Pereira, em 2005, "quem vai a estes sítios sabe o que o espera". Mais triste ainda é que essa "justificação" anda na boca do povo, como se fizesse todo o sentido, e de onde se deriva o conselho "quem não gosta não frequenta".
Ora, se eu for a um desses locais já sei o que me espera, ou seja, sei que vai haver fumo de tabaco. Como eu não gosto de fumo de tabaco e não gosto que me forcem a inalá-lo contra a minha vontade, não frequento esse tipo de locais. Porquê? Só fumadores é que se podem divertir?
Mas nem vou por aí. Tudo bem, poderia até admitir que se estabelecesse que estabelecimentos de diversão serão locais onde se fuma e ponto final, quem não gosta não vai e o que eu queria era que fizessem estabelecimentos de diversão discriminantes, onde não se fumasse.
Mas vamos extrapolar isto para algo mais genérico:
Imaginemos que existe um acto que é altamente prejudicial para qualquer pessoa.
O referido acto não é uma necessidade básica para o ser humano.
Adicionalmente, há quem considere que esse acto lhes proporciona algum prazer e por isso praticam-no frequentemente.
Outras pessoas consideram esse acto extremamente incomodativo, para além de prejudicial para a sua saúde.
Colocam-se então duas questões:
Questão 1: como podem coexistir ambos os tipos de pessoas, os que gostam e os que não gostam, sem que nenhum tenha que se privar dos seus direitos - uns de praticar o acto e outros de não serem incomodados ou prejudicados pelo mesmo?
Questão 2: Para situações em que não é possível responder à questão 1, qual dos dois tipos de pessoa deverá abdicar do seu direito?
A resposta à primeira questão é simples: separando os dois tipos de pessoas e isolando-os um do outro. Assim os que gostam de praticar o acto, podem continuar a fazê-lo sem incomodar ou prejudicar os que se sentem incomodados.
Mas a segunda questão complica as coisas e é a base de muitas discussões fervorosas. Se não houver hipótese de isolar os dois tipos de pessoas, um deles tem de sair prejudicado. Das duas uma: ou quem gosta não pratica o acto, ou quem não gosta tem de sofrer o incómodo e prejuízo do mesmo.
Qual destas é a opção correcta?
Tentemos ver a coisa de uma forma geral, sem entrar em pormenores idiotas para tentar puxar a sardinha mais para um lado ou mais para o outro, como é tão típico de se fazer numa discussão acerca de tabaco.
Um dos direitos tem de ser abolido. Como escolher? Qual deles é mais importante? Não se aplica o argumento de ser justo ou não, porque sendo um direito, qualquer que seja a escolha, vai sempre haver alguma injustiça, pelo facto de uns terem de abdicar do seu direito para que os outros mantenham o seu. Então como se toma uma decisão destas? Há que ver a tal importância de cada um dos direitos.
Um deles, o primeiro, é o direito do livre arbítrio, de alguém poder fazer algo apenas porque lhe apetece.
O outro, o segundo, é o direito a alguém não ser incomodado e, mais importante, prejudicado por um acto levado a cabo por outra pessoa.
Abolir o primeiro (solução A) não tem necessariamente repercussões negativas, para além da óbvia de se estar a retirar um direito a alguém. E é importante realçar o "necessariamente", porque pode sempre ser argumentado que alguém se poderia sentir posto à margem da sociedade e toda uma série de outros traumas psicológicos, por lhe ser privado o seu direito a exerver o acto de que tanto gosta.
Já abolir o segundo (solução B) é mais complicado, pois passamos de uma situação em que temos a certeza de que ninguém vai ser prejudicado por algo que não quer, para uma situação em que é possível essas pessoas serem prejudicadas pelo referido acto. Aqui também é de realçar que é apenas possível e não um facto, o alguém ser prejudicado.
Temos então duas possíveis soluções, cuja escolha se pode basear em estatística. Nenhuma delas é necessariamente má, portanto temos que escolher aquela que tem mais probabilidade de ter efeitos negativos.
Parece-me óbvio que, e agora voltando ao tema específico do tabaco, é muito menos provável alguém se tornar um assassino em série por ver os seus direitos privados, do que alguém vir a sofrer de problemas respiratórios devido a inalar fumo de tabaco.
Assim sendo, a solução correcta seria a B.
Acho interessante eu ter tido que escrever tanto para descrever algo que para mim, na minha cabeça, é mais que lógico e nem sequer tem argumentação possível. Não admira que haja tanta gente com ideias malucas em relação ao tabaco... não é tão simples quanto parece... ou se calhar até é e as pessoas é que não são capazes de ver as coisas de forma simples, lógica e racional.
Felizmente o Almada Fórum, que é dos poucos estabelecimentos comerciais de grandes dimensões que de tempos a tempos frequento, já tem lá os avisos há uns bons dias. Claro que têm um bom departamento de marketing, o qual aproveitou a situação da nova lei para fazer um bocadinho de publicidade quase-enganosa: "Respire melhor", dizem eles nos cartazes... como se antes da nova lei eles pensassem "epá, nós até achamos que os não-fumadores têm razão e queríamos poder dar-lhes um ambiente melhor neste nosso espaço mas epá, não dá, e tal...".
Sendo obrigados a cumprir uma lei que não lhes agrada (se agradasse não precisavam que entrasse em vigor uma lei para proibir o fumo de tabaco no estabelecimento e já o tinham feito há mais tempo), conseguiram dar a volta à situação e fazê-los parecer agora os "bons da fita", tentando evitar que as pessoas se apercebessem de que eles afinal eram tão "maus da fita" quanto os outros estabelecimentos todos que também permitem que se fume lá dentro, vá-se lá saber porquê...
Touradas
Sem grandes palavras, provavelmente a melhor propaganda deste tipo que vi até hoje.
Não ao Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Não sei se todos vós sabem mas querem assassinar mais um pouco a nossa língua: vamos passar a escrever em "Brasilês"...
Chamem-me conservador (não acho que o seja) mas considero isto uma estupidez. Não me oponho à evolução de uma língua mas isto não é evolução, isto é política.
Quem quiser perceber um pouco melhor o porquê: http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2007&m=11&d=29&uid=&id=239417&sid=50781
Assinem, se concordarem. Custa-vos apenas um minuto mas pode ser que ajude de alguma forma a "salvar" a nossa língua.
Sexismo na linguagem
Há dias tive uma reunião de trabalho em que, durante uma discussão acerca de que texto utilizar para um link de um site, um dos intervenientes queria que em vez de "Alunos", se escrevesse "Alunos&Alunas", querendo iagualmente aplicar a mesma lógica ao resto do site, por forma a evitar o sexismo na linguagem utilizada.
Posteriormente enviei um e-mail a todos os presentes na reunião, o qual começava com "Boa noite a tod@s", com intenção de não privilegiar um sexo em deterimento do outro, mais como brincadeira do que outra coisa. É que não liguei muito a esta sugestão (e os restantes presentes também não), pois considero que este tipo de coisas são insuficiências do ego cultural do nosso país, que precisa à viva força de ver abolidas todas e quaisquer formas de descriminação (talvez resquícios de anos vividos à sombra de uma ditadura).
Passou-se do 8 para o 80 e já não se consegue distinguir descriminação sexual de uma selecção linguista. É que a língua Portuguesa não é como a língua inglesa, que não tem sujeito assexuado na sua língua. Nós temos de escolher: ou dizemos "alunos" ou dizemos "alunas", ao nos referirmos ao conjunto de pessoas que frequentam um estabelecimento de ensino; não faria sentido utilizar sempre ambos os sexos e por isso optou-se por um deles.
Mas se o machismo de épocas passadas teve algum peso na opção tomada, penso que hoje em dia ela se mantém por uma mera questão de hábito linguístico e não sexista. Aliás, ou muito me engano ou já há uns 5 ou 6 anos atrás que houve uma rectificação ao acordo ortográfico (ou lá
como se chama a essa coisa que define o que é e o que não é Português correcto) em que se estabeleceu que era igualmente válido utilizar tanto o sexo masculino como o feminino, para nos referirmos a um conjunto de sujeitos.
Assim sendo, dizer "alunos" ou "alunas" seria exactamente a mesma coisa.
Mas as pessoas não o dizem.
E sinceramente não sei se alguma vez o farão, pois é um hábito linguístico muito enraizado e não há razões suficientemente fortes para o mudar - a não ser que algum grupo extremista anti-sexismo consiga gerar uma revolução linguística que traga tal mudança de mentalidade. Mas até ver, não acredito. Nem com o tabaco se consegue acabar, que esse sim, tem efeitos extremamente negativos que são conhecidos por todos; como se pode esperar conseguir acabar com uma coisa tão mais pequena e que não tem consequências negativas?
Nem tão pouco me preocupo com este tipo de coisas, pois acima de tudo, o que conta são as intenções das pessoas e se eu me referir como "alunos" a um grupo que contém elementos de ambos os sexos, sem ter qualquer intenção de descriminar os elementos femininos, então nenhum destes tem que se sentir ofendido ou descriminado.
Os que se sentirem descriminados, por mim podem enfiar-se numa máquina do tempo e voltar para o século 16, onde as mentalidades certamente serão mais do seu agrado.















